terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Não seja um alienado político


Bom, nunca fui um cara muito engajado com assuntos relacionados à política, na verdade o meu primeiro e último interesse em política foi quando eu ainda estava na escola estudando nos livros de História a estrutura política da Grécia, inclusive a maior personalidade política do século V a.C. chamado Péricles. De lá pra cá, meu interesse foi diminuindo de maneira gradual, potencializado pelos escândalos de corrupção e a perda de credibilidade no Estado e Governo.
As mentiras escrachadas contadas por políticos em propagandas mostradas na TV aberta, somadas ao descaso desses com a baixa qualidade em educação, transporte, saneamento básico, segurança, infraestrutura, saúde, entre outros problemas Brasil a fora me fez pensar que estava vivendo num país preso em um sistema estruturado para centralizar o poder, que não tem solução, algo irreversível, inexorável. É muito fácil pensar de maneira pessimista em um país que tem uma alta carga tributária, onde os mais pobres trabalham para manter a qualidade de vida dos mais ricos, onde o estado gasta mais do que arrecada, onde a burocracia dificulta a vida de quem deseja empreender, um estado que atrapalha a livre concorrência, um país de dimensões continentais gerenciado por pessoas apenas interessadas no próprio enriquecimento.
O problema nisso tudo é que o sistema político brasileiro foi estruturado por décadas, governo após governo a falar para o povo o que ele quer ouvir, a seduzir uma massa desprovida de senso crítico através de um apostura populista, a arquitetar estratagemas para manter-lo longe das decisões vitais para o país, a fomentar um ambiente de ignorância política e ensinar a massa a ser impotente, sem atitude e poder de transformação. Existe um sistema intrincado, criado pra ser blindado e teoricamente imutável para manter no poder aqueles que desejam tornar perene a cultura da impunidade, sistema esse, simbolizado por uma arquitetura moderna, com prédios suntuosos, como os poderes executivo, legislativo e judiciário acomodados em verdadeiras torres de marfim, localizados, acredito que de maneira proposital, em Brasília, longe das grandes metrópoles, longe das massas que incomodam, um local que por si só representa o isolamento com o resto do Brasil.
Entretanto, diante desse circo de horrores, alimentar uma postura de conformismo, de vítima, é inútil. Reclamar de tudo e de todos, botando a culpa em terceiros, traz qualquer coisa, menos resultados.  Foi então que resolvi me engajar de maneira mais substancial com assuntos políticos, estudando e pesquisando as características, as estruturas partidárias, de que forma os sistemas ideológicos influenciam a política nacional, enfim, todo o arcabouço que constitui esse universo presente no dia-a-dia das pessoas e ao mesmo tempo tão distante. Percebi que o ganho em inteligência política quando multiplicado para outras pessoas, é capaz de impactar na escolha de candidatos mais qualificados e verdadeiramente engajados com a luta por melhorias do sistema sócio-político- econômico brasileiro.
Pensando nisso, escrevi esse texto para compartilhar algumas fontes de conhecimento, apresentando dados e informações que são elucidativos e tornam a nossa análise política mais lógica, analítica, assertiva e menos propensa a postulados ou empirismo, conforme listados abaixo:
1. Brasil Paralelo: é uma empresa, que não recebe nenhum investimento do estado, onde produz conteúdos em mídia relacionados à política, economia e história na forma de storytelling. Os conteúdos já atingiram mais de 2 milhões de pessoas. Eles têm um canal no YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCKDjjeeBmdaiicey2nImISw/featured) e uma plataforma (https://www.brasilparalelo.com.br/home/index.html), onde existe mais conteúdos e o usuário pode virar um membro, ajudando a financiar mais vídeos contando a história do Brasil. Os primeiros vídeos são gratuitos e podem ser acessados pelos links:
Pra conhecer mais sobre a história do Brasil, têm os conteúdos abaixo:
2. Ranking dos Políticos: é uma organização que tem por objetivo ajudar ao cidadão a votar melhor, usando a tecnologia para classificar deputados federais e senadores do melhor para o pior. Link: http://www.politicos.org.br/
3. Mises Brasil: O Instituto Ludwig von Mises – Brasil (“IMB”) é uma associação voltada à produção e à disseminação de estudos econômicos e de ciências sociais que promovam os princípios de livre mercado e de uma sociedade livre. O Mises disponibiliza diversos artigos, podcasts, e-books e vídeos sobre os mais diversos assuntos na esfera econômica e de ciência social. Link: https://www.mises.org.br/Default.aspx
4. Politize: é uma rede colaborativa não vinculada a nenhum partido político, e tem o objetivo de levar educação política de forma simples e clara ao cidadão brasileiro por meio da tecnologia. Link: http://www.politize.com.br/quem-somos/
Os conteúdos disponibilizados nessas plataformas são de ótima qualidade e podem nos ajudar a tomar melhores decisões na escolha dos futuros representantes políticos, as eleições de 2018 são uma excelente oportunidade para colocar esses conhecimentos em prática.
Espero ter colaborado e se alguém conhecer outras plataformas, livros ou outras fontes de conhecimento voltados para esses conteúdos, compartilha nos comentários e bons estudos!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

The Founder



 Certo dia, de forma aleatória, resolvi ver algum filme na Netflix, e o escolhido foi The Founder, ou em tradução nada a ver para o nosso português "Fome de Poder". O filme, baseado em fatos reais, narra a história da fundação do McDonald's Corporation que é a maior cadeia de restaurantes de fast food de hambúrguer do mundo, servindo cerca de 68 milhões de clientes por dia em 119 países através de 35 mil pontos de venda. Entretanto, durante a história você percebe que o McDonald's não é uma empresa de hambúrgueres, mas a maior empresa do setor imobiliário do mundo. Mas como assim? 
               O McDonald's comprou terrenos. Em outros, ele mesmo construiu o restaurante e alugou o terreno já contando com o restaurante, ao invés de deixar isso a cargo do franqueado. Hoje a empresa tem uma margem de 85% com essas operações, recebendo US$ 6,10 bilhões em alugueis, US$ 3,08 bilhões em royalties e apenas US$ 80 milhões em taxas para a criação de novos serviços. O portfólio imobiliário do McDolnald's vale US$ 39 bilhões atualmente. Mas não quero falar sobre o poderoso modelo de negócios do McDolnald's, quero falar sobre o que aprendi com Ray Kroc, o fundador, interpretado muito bem pelo ator Michael Keaton.
               Ray Kroc, é um personagem polêmico que durante o filme tomou atitudes não muito gentis com outros personagens, mas quando se trata de business não tem como evitar o lado difícil das situações difíceis, não existe contos de fadas na construção de negócios sustentáveis que sobrevivam a longo prazo. Apesar do lado "objetivo" de Ray Kroc listei três lições que aprendi ao acompanhar a história no conforto do meu sofá numa noite de sexta-feira.
               1. Medo da mudança e aleatoriedade. Ray fundou o McDolnald's quando tinha 52 anos de idade, e já havia fracassado em vários outros negócios anteriores, mesmo assim era extremamente aberto a novas oportunidades, não tinha medo da mudança. Normalmente as pessoas querem se agarrar a coisas que funcionam - histórias que funcionam, métodos que funcionam, estratégias que funcionam. Isso pode gerar o medo de mudar - inato, obstinado e resistente à razão, ou seja, algumas pessoas consideram eventos randômicos imprevistos como algo a ser temido. Assim o medo faz com que as pessoas busquem certeza e estabilidade, mas o imprevisível é o terreno onde ocorre a criatividade, e justamente por "abraçar" essas mudanças junto com os riscos envolvidos Ray foi bem recompensado provando que pessoas de sucesso não viram sucesso se não aceitarem mudanças e tomarem riscos aleatórios.
              2. Saber lidar com os fracassos. Os fracassos dos negócios anteriores, o pessimismo da esposa sobre as incerteza das coisas, os deboches dos amigos mais próximos, nada disso impediu que Ray tivesse sangue nos olhos e faca nos dentes para fazer as coisas acontecerem. Sua crença era implacável, a "fome de poder" inabalável, o vigor para para se recuperar de constantes fracassos era alimentado por algum tipo de bateria com fonte ilimitada de energia.
              3. Persistência. Nada, mas absolutamente nada vai adiantar ser inteligente, talentoso, falar bem, ou outras características superestimadas atualmente pela sociedade se não houver persistência. Ray era extremamente persistente e deu no que deu ao estruturar o império chamado McDolnald's. Persistência tem a ver em ter bons resultados em 3% do tempo e nos outros 97% estar no modo frustrado, perturbado, entre outros sentimentos ruins. O importante é labutar com diligência através desse pântano de desânimo e desespero. Portanto, se você tem algum objetivo e quer atingi-lo, o conselho é PERSISTA, PERSISTA em contar sua história, PERSISTA em atingir seu público, PERSISTA em ser fiel à sua visão.
               Portanto, Ray Kroc mostra que não existem muitas pessoas de sucesso exponencial (talvez nenhuma) que tivessem medo de mudanças, fossem paralisadas pelos fracassos e não tivessem persistência, quaisquer que sejam os sonhos ou os objetivos que alguém possa ter. Assim, como mensagem final, "tome riscos, quebre as regras e mude o jogo" sempre que necessário.

Sense8, Elon Musk e A Quarta Revolução Industrial.



Sense8 é uma série de ficção científica em exibição na Netflix que narra a história de oito pessoas com características de personalidades e sócio-econômicas diferentes, localizados em diferentes países no mundo, os chamados sensates, que de forma repentina começam a "compartilhar um cérebro coletivo". Em resumo, eles compartilham memórias, sensações, pensamentos e experiências uns dos outros. É uma visão futurística do que poderia ser descrito como uma hiper conexão entre as pessoas, a concretização da telepatia e mais que isso, da empatia experimentada ao máximo. 
No entanto, saindo da ficção e entrando no mundo real, já existem algumas pessoas que estão trabalhando em projetos futurísticos, como mostrado em Sense8. Estou falando de Elon Musk, o empreendedor sul-africano bilionário que usando diferentes tipos de conhecimentos adquiridos através de uma formação em Física no Canadá e outra em negócios na Wharton School, a escola de negócios da University of Pennsylvania, desenvolveu uma espécie de expertise generalista. Por ser um leitor voraz com carga de leitura cerca de 60 vezes maior que a média, Musk potencializa ainda mais seu nível de pensamento inovador e como resultado, ele executou suas ideias e criou os negócios mais disruptivos que existem atualmente no mundo. Musk criou empresas como a SpaceX, que tem como objetivo fazer a reutilização de foguetes e tornar a raça humana a primeira com características multiplanetárias, a Solar City que produz painéis solares e baterias de energia e tem a ambição de tornar escalável a utilização da energia solar impactando na redução de custos e no desenvolvimento de um ecossistema altamente sustentável, a Tesla que produz carros elétricos com características de padrão de luxo, intermediário e em breve os "populares" e tem a missão de impactar na redução do CO2 atmosférico reduzindo os prejuízos do efeito estufa e por fim a Neuralink, empresa de neurotecnologia que tem a pretensão de criar uma interface cérebro-máquina aumentada por inteligência artificial a fim de lançar no mercado um produto de "telepatia consensual". 
Sense 8 e Elon Musk, mesmo um sendo ficção científica e outro realidade, podem ser considerados símbolos de originalidade e inovação no que muitos estão chamando de A 4ª Revolução Industrial ou Revolução 4.0. A quarta revolução industrial, segundo alguns economistas, é marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial disse o seguinte, "Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes". No Fórum Mundial de Davos, em janeiro de 2016, houve uma antecipação do que os acadêmicos mais entusiastas têm na cabeça quando falam de Revolução 4.0: nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D. Além disso IoT (Internet das coisas), Computação em Nuvem, Deep Learning, Big Data e Business intelligence estão criando novos modelos de negócios, tudo mais preciso e rápido na obtenção de produtividade e resultados.
Diante do que foi discutido, qual a relação entre a série Sense8, o empreendedor Elon Musk e a Revolução 4.0?, todos os três tem em comum a inovação. Estamos num processo acelerado de "darwinismo tecnológico" onde a inovação ora se comporta como desejo ora como necessidade, ou ainda, um desejo que se transforma em necessidade, isso acontecendo em muitos áreas da vida. Entretanto, não estou falando sobre inovação no sentido de deixarmos as coisas acontecerem diante dos nossos olhos e não acompanharmos, ficarmos parados, cômodos, enquanto as coisas no mundo se reinventam constantemente. Estou falando de efetivamente usarmos a inovação ao nosso favor sendo parte dela no engajamento de soluções que possam impactar a vida de outras pessoas ou usarmos a inovação para reinventar a nossa própria vida, sair do nosso status quo, usar o processo de criação destrutiva do economista Schumpeter, ou seja, nunca nos acomodarmos com a situação atual das coisas pois sempre há algo a ser melhorado, para isso destruímos uma coisa agora para fazermos outra melhor amanhã, num processo cíclico de "criação destrutiva". 
        Portanto, uma das maneiras mais simples de buscar inovação nas nossas vidas é utilizar os questionamentos socráticos, por exemplo, "De que outra forma pode-se olhar para isso?", "Quem se beneficia com isso?". Elon Musk, por exemplo, reconstrói os princípios fundamentais da nova área para aplicá-los em outra. Conforme mencionado por Michael Simmons, “Ele reconstrói o que aprendeu sobre inteligência artificial, tecnologia, física e engenharia em campos separados”. Aplica o que aprendeu sobre aviação na SpaceX, por exemplo, ou em inteligência artificial para criar carros autônomos. As ferramentas do coaching também utilizam o que é conhecido como "perguntas poderosas", onde uma sessão de coaching bem conduzida pode se tornar uma oportunidade extremamente rica para gerar questionamentos que levem à inovação, é só uma questão de prática deliberada, o importante é não ficar na famosa e tão falada nos dias de hoje "zona de conforto".

Por que eu devo ter um diário da 'gratidão' e escrever por 21 dias consecutivos?


Certa noite, antes de ir dormir eu registrei mais uma experiência das minhas últimas 24h em um diário, mais especificamente em um diário onde deixo registrado minha gratidão por coisas positivas que me aconteceram ao longo do dia, confesso para vocês que para mim não é muito simples ter que religiosamente escrever todos os dias, pois não tenho o hábito da escrita, mas no meu caso a disciplina é mais importante que a motivação, ou seja, mesmo que esteja literalmente "destruído" depois de um dia de trabalho ou com muita preguiça eu registro minhas experiências. Mas vocês devem estar se perguntando porque eu estou escrevendo sobre isso...pois foi a mesma pergunta que me fiz antes de começar a fazer esses registros diários, por que eu devo escrever nesse diário? Por que em 21 dias consecutivos? diante disso resolvi pesquisar e saber se existia algum motivo científico que pudesse dar fundamento a essa atividade e foi então que li alguns artigos de Shawn Achor, psicólogo de Harvard e CEO da Good Think Inc. onde pesquisa e ensina sobre psicologia positiva e Shawn apresenta alguns motivos bem interessantes que gostaria de compartilhar com vocês.
           Ao registrar a experiência de um dia no diário estamos praticando um pouco da "ciência da felicidade", ou seja, condicionando o cérebro a ser positivo. Esse cérebro positivo precisa ser treinado pois temos uma concepção cientificamente retrógrada sobre felicidade, onde o pensamento que existe atualmente é "se eu trabalhar duro serei mais bem-sucedido e se eu for mais bem-sucedido então serei mais feliz", esse modelo de pensamento é a base para nosso estilo parental, de gestão e para a maneira como motivamos nosso comportamento, entretanto o cérebro funciona no sentido oposto, onde se elevarmos o positivismo de alguém no presente o cérebro vivencia o que chamamos de vantagem da felicidade, isto é, o cérebro positivo tem um desempenho significativamente melhor do que no estado neutro, negativo ou estressado e como consequência a inteligência, criatividade e o nível de energia aumentam.
           Aplicando esse conhecimento no mundo dos negócios e de outras profissões, também temos resultados bem interessantes, como o aumento de 31% da produtividade no trabalho, uma melhora de 37% nas vendas e os médicos são 19% mais rápidos e precisos para identificar o diagnóstico correto de doenças quando positivo em vez de negativo, neutro ou estressado, portanto fujam de médicos carrancudos e que nem olham para você numa consulta.
           Shawn viajou por 45 países e passou por diversas empresas e escolas aplicando treinamentos para o cérebro ser mais positivo, esses treinamentos envolvem praticar meditação para ajudar a superar o "TDAH cultural" de fazer múltiplas tarefas de uma vez ao invés de focar em uma só, estimular atos aleatórios de gentileza que são atos conscientes de gentileza, elogiando ou agradecendo alguém, resultando em maior concentração de dopamina onde ela não só deixa a pessoa mais feliz como aciona todos os centros de aprendizagem do cérebro e por fim escrever uma experiência positiva que tenha tido nas últimas 24h possibilita o cérebro revivê-las e mostrar que o comportamento é importante, assim escrever num intervalo de dois minutos durante 21 dias consecutivos as pessoas trabalham com mais otimismo e sucesso e escrever 3 coisas novas pelas quais são gratas todos os dias o cérebro começa a reter um padrão de busca no mundo, não pelo negativo, mas pelas coisas positivas.
           Assim, é possível inverter a fórmula da felicidade e sucesso, onde através de uma simples onda de positividade podemos criar uma revolução, sendo assim procurem praticar o 'diário da gratidão', pois descobri que é uma ferramenta simples e poderosa de mudança de pensamentos e hábitos.
Deixo registrado minha gratidão a todos!

Faça menos, porém melhor.


Em uma das empresas onde trabalhei, aprendi através de uma das piores maneiras possíveis o significado de produtividade e consegui entender nessa experiência singular o porquê de tantas empresas e modelos de negócios apresentarem sérios problemas de performance e obter resultados ruins. No primeiro ano de casa, eu, como todo novato, que deseja mostrar trabalho, resolvi dizer "sim" para todas as tarefas principalmente as solicitadas pelo meu chefe, pois o receio de receber um feedback negativo era assustador para mim, então me dividia entre múltiplas tarefas e setores incluindo vendas, engenharia de instalações, auditorias, treinamentos de equipe, balanços contábeis e físicos, gestão de manutenção preventiva, segurança, suprimentos, pedidos, reuniões, em fim, acompanhava toda a cadeia de processos que estava descrita no meu escopo de funções, entretanto dentro cada uma dessas esferas do processo existia um universo de atividades que precisavam ser executadas dentro de frequências específicas e quando você é inexperiente dentro do novo negócio e tem uma equipe segregada e sem sinergia tudo tende ao fracasso e foi o que aconteceu, por eu tentar abraçar o mundo com as mãos o volume de atividades era maior do que eu era capaz de executar e como resultado a avaliação da minha performance foi horrível naquele ano, eu avançava 1 milímetro em 1 milhão de direções ao invés de 1 quilômetro em uma única direção, foi o resultado mais desastroso em termo de produtividade que eu já tinha recebido e a situação ficou ainda pior porque eu estava fisicamente extenuado pois trabalhava muito, entrava às 08h da manhã e quase todos os dias saia às 20h ou 21h da noite, além disso minha autoestima estava baixa e meu ânimo ficou comprometido, ou seja, eu estava numa zona de guerra praticamente sozinho.
Entretanto, não fiquei estático esperando os problemas se agravarem e fui buscar ajuda nas minhas redes de contato, procurei orientação de pessoas que passaram por situações parecidas, assisti a palestras sobre gestão do tempo, produtividade, etc., mas nada foi mais impactante que as informações do livro Essencialismo, do escritor Greg Mckeown, que devido ao acaso, passando por uma livraria visualizei o título e senti que era aquilo que eu estava precisando naquele momento. Eu estava fazendo exatamente o oposto o que o escritor descrevia para não fazer e consegui identificar em detalhes os erros que estava cometendo tanto na vida profissional quanto pessoal, e aplico até hoje na minha vida o conhecimento adquirido naquele livro. Depois de saber onde eu estava errando dei um salto de produtividade de maneira gradual, meus resultados melhoraram, comecei a sair no meu horário, estava mais disposto, minha equipe estava mais feliz, meu chefe começou a me elogiar, a engrenagem começou a funcionar como devia, parece uma frase clichê, mas realmente “conhecimento é em si mesmo um poder”, como mencionado por Francis Bacon, eu tinha encontrado meu ponto de equilíbrio.
Mas alguns podem se perguntar o que eu fiz exatamente para ter essa mudança da água para o vinho?. Eu apenas segui a filosofia de um essencialista de forma gradual, não basta apenas executar de maneira superficial as lições, você precisa ser um essencialista de fato, pois é só através desse engajamento que é possível aplicar o princípio do “faça menos, porém melhor” em todas as áreas da vida e os resultados sempre aparecem positivamente. Conforme aprendi, segui quatro etapas: a essência, exploração, eliminação e execução.
essência não é um modo de fazer mais uma coisa, é um modo diferente de fazer tudo. Nessa etapa havia esquecido que tenho o poder de fazer escolhas, muitas vezes esqueço-me de parar para pensar que eu não preciso seguir a “estratégia em cima do muro” de querer fazer tudo ao mesmo tempo, percebi que quando abdicamos da nossa capacidade de escolher, algo ou alguém escolhe por nós. Outro ponto chave nessa etapa é saber discernir. Segundo a “lei da potência” alguns esforços produzem exponencialmente mais resultados que outros. O trabalho árduo é importante, entretanto, mais esforço não gera necessariamente mais resultado, “menos, porém melhor”, sim, dessa maneira escolhi executar quais atividades no trabalho e pessoais que me trariam resultados exponenciais, onde poderia aplicar 20% do meu esforço para obter 80% dos resultados, conforme o Princípio de Pareto. Outro ponto nessa etapa foi entender o “perder para ganhar”, ou seja, comecei a me perguntar “Que problema quero resolver?”, “Em que quero investir tudo?”. Certa vez um antigo chefe me pediu para realizar uma tarefa e ele sempre queria tudo para ontem, além disso desejava que o trabalho fosse perfeito. Certo dia, depois de estar ciente de que é necessário perder algo para ganhar em outra coisa perguntei a ele, “você deseja que eu faça o trabalho mais rápido ou melhor?”, ele entendendo que estávamos numa zona de guerra e que precisava do serviço pronto, me pediu foco para entregar o mais rápido possível, não precisava estar perfeito, mas o bom já era suficiente. Portando as soluções em que perdemos uma coisa para ganhar outra maior não devem ser ignoradas nem menosprezadas, devem ser adotadas e realizadas de forma ponderada, deliberada e estratégica.
Na exploração, aprendi a discernir as muitas coisas triviais das poucas vitais me fazendo três perguntas, “O que me inspira profundamente?”, “Qual é o meu talento especial?” e “O que atende a uma necessidade importante no mundo?” dessa maneira não estava procurando uma infinidade de coisas para fazer, queria dar meu nível máximo de contribuição sabendo fazer a coisa certa, do jeito certo, na hora certa.
No local de trabalho, por exemplo, mesmo sendo um ambiente dinâmico e agressivo em termos de execução de tarefas e entrega de resultados eu precisava escapar, ou seja, para ter foco é preciso escapar para criar o foco, reservar de forma deliberada um período sem distrações, num lugar isolado, para não fazer absolutamente nada além de pensar, isso me permitiu passar de solucionador de problemas a instrutor, o que é esperado de um líder. Portanto, quanto mais rápida e assoberbada é a vida, mais precisamos encontrar tempo para pensar, como disse Pablo Picasso “Sem grande solidão, nenhum trabalho sério é possível”.
Após identificar o que é importante e o que não é importante na etapa de exploração, na sequência vem a eliminação, que significa excluir as muitas coisas triviais. Como mencionei antes, dizia sim para muitas atividades no trabalho e na vida pessoal, pois estava ansioso para agradar e contribuir. Mas o segredo da contribuição máxima talvez seja dizer não. Como mencionado por Peter Drucker: “As pessoas são competentes porque dizem ‘não’, porque dizem ‘isso não é pra mim’”. Eliminar o que não é essencial significa dizer não a alguém, muitas vezes, e também ir contra as expectativas sociais. Para fazer isso é preciso coragem e delicadeza. Portanto, o essencialismo não exige apenas disciplina mental, mas a disciplina emocional necessária para não ceder à pressão social, o poder de um “não” elegante é simplesmente libertador, pois você foca naquilo que é vital. Outro aspecto-chave dentro da fase de eliminação é a capacidade de descomprometer-se com as coisas triviais. Existe um fenômeno psicológico muito comum chamado “influência dos custos perdidos”, que nada mais é a tendência de continuar investindo tempo, dinheiro e energia numa proposta que sabemos ser malsucedida só porque já gastamos um valor impossível de ser ressarcido. Isso pode facilmente se transformar em um círculo vicioso: quanto mais investimentos, mais decididos ficamos a ver se dá certo e se o investimento rende. Quanto mais investimos em algo, mais difícil é deixá-lo para lá. Os indivíduos são igualmente vulneráveis a essa influência. Ela explica o fato de continuarmos a assistir a um filme horroroso só porque já pagamos pelo ingresso, por que continuamos a pôr dinheiro na reforma de uma casa que parece nunca terminar, por que continuamos a esperar o ônibus ou metrô que nunca vem em vez de pegar um taxi e por que investimos em relacionamos fracassados mesmo quando nosso esforço só piora a situação.
O terceiro e último passo é executar, ou seja, remover obstáculos para que a execução quase não exija esforço. Qualquer que seja a meta – terminar um projeto no trabalho, chegar à próxima etapa da carreira ou planejar a festa de aniversário do marido ou da esposa -, tendemos a pensar no processo de execução como algo difícil e cheio de atrito, algo que é preciso forçar para fazer acontecer. Mas a abordagem do essencialista é diferente. Em vez de forçar a execução, os essencialistas investem o tempo que pouparam para criar um sistema que remova o obstáculo e torne a execução o mais fácil possível. Uma das estratégias mais notáveis que usei no meu trabalho para executar as tarefas foi subtrair, isto é, produzia mais removendo obstáculos, Lao-Tsé já afirmava “Para obter conhecimento, acrescente coisas todo dia, para obter sabedoria, subtraia”. Portanto, antes de começar a executar um projeto, por exemplo, dedicava alguns minutos me fazendo as perguntas “Quais são os obstáculos no meu caminho até o resultado?” e “O que me impede de concluir o projeto?”, após responder a essas perguntas listava todos os entraves que geralmente incluíam: falta de informações, baixo nível de energia, obsessão pela perfeição, etc., feito isso no topo da lista incluía a resposta à seguinte pergunta: “Qual é o obstáculo que, se removido, fará quase todos os outros desaparecerem?”. Percebi que muitas pessoas falham na execução de certas metas por falta de tempo para planejar, pensar e se preparar. Remover obstáculos não precisa ser difícil nem exigir um esforço sobre-humano.
Outro ponto a ser destacado na fase de execução é concentrar-se no progresso mínimo viável. Uma crença comum no Vale do Silício é: “concluído é melhor que do perfeito”. Isso não quer dizer que devamos produzir qualquer porcaria, mas sim deixar de perder tempo com o que não é essencial e fazer o precisa ser feito. Quando uma startup de tecnologia projeta um produto, a ideia é: “Qual é o produto mais simples possível que seria útil e valioso para o cliente que pretendemos alcançar?”. Do mesmo modo, é possível adotarmos o método do “progresso mínimo viável”, perguntando: “Qual é o menor progresso que seria útil e valioso para a tarefa essencial que queremos cumprir?”. Assim, existem duas maneiras de abordar uma meta ou um prazo importante: pode-se começar cedo e pequeno ou tarde e grande. “Tarde e grande” significa realizar tudo na última hora, ou seja, virar noites e “fazer acontecer”. “Cedo e pequeno” quer dizer começar quanto antes com o mínimo investimento possível de tempo. Muitas vezes, 10 minutos investidos num projeto ou numa tarefa duas semanas antes do encerramento do prazo podem evitar muito estresse e correria frenética de última hora. Pegue uma meta ou prazo que terá que cumprir e pergunte-se: “Qual é o mínimo que posso fazer agora mesmo para me preparar?”.
Assim, praticar o ciclo essência, exploração, eliminação e execução me permitiu obter resultados substanciais em termo de produtividade, meu tempo agora, mesmo com a correria do dia-a-dia é melhor aproveitado e consigo focar naquilo que é realmente vital, seja na área profissional ou pessoal. Além disso, baseado na minha experiência obtendo resultados ruins em termos de produtividade em uma das empresas onde trabalhei, hoje consigo perceber que muitas empresas não conseguem atingir seu máximo nível de performance pois a maioria não investe na implementação da cultura essencialista em suas equipes, não investe numa abordagem simplista das coisas, como explicado por Ela Bhatt, ganhadora do prêmio Indira Gandhi pela Paz: “De todas as virtudes, a simplicidade é a minha favorita, tanto que acredito que pode resolver a maioria dos problemas, sejam pessoais, sejam mundiais. Quando a abordagem da vida é simples, não é preciso mentir tanto, nem brigar, roubar, invejar, enraivecer, agredir, matar. Todos terão o suficiente com abundância, e não precisarão acumular, especular, apostar, odiar. Quando o caráter é belo, somos belos. Essa é a beleza da simplicidade.”

Não seja um alienado político

Bom, nunca fui um cara muito engajado com assuntos relacionados à política, na verdade o meu primeiro e último interesse em política fo...